music
Telegraficamente e mais rápido que um TGV sem paragens entre Lisboa e o Porto. A festa da música deste ano foi dedicado aos Barrocos europeus. Francês, Inglês, Italiano, Alemão e Português. Emprestou o título de uma obra de Couperin,
Le Concert des Nations: O Concerto das Nações.
Assisti aos concertos do
RIAS Kammerchor com a
Akademie für Alte Musik dirigidos por Daniel Reuss, no Salomon HWV 67 (1749) de
G. F. Handel. Não me agradou por aí além. Valeu a prestação de
Susan Gritton o resto é mais ou menos esquecível. Continuo a não gostar da direcção de
Daniel Reuss. Não tinha gostado nada da
Missa Solemnis de Beethoven o ano passado, e não gostei do Solomon este ano. Recordo com saudade a magnífica
Criação de Haydn dirigida por
Marcus Creed com o mesmo dispositivo coral e instrumental.
O problema de Reuss, IMHO, é o de não ter uma concepção coesa das obras. A música avança aos sacões. Não há uma continuidade. Há também pouco acerto na escolha dos solistas. Que carga de água tem a técnica interpretativa de Susan Gritton a ver a soprano
Marianne Beate Kielland? E com
Emma Bell? Pouco ou nada. A primeira não tem um centésimo da capacidade de sentir e cantar o texto de Gritton. A segunda grita muito mas não encanta. Só Gritton tem a inteligência para entender o texto e o recitar cantando. Os cantores masculinos são banais. O baixo
David Wilson-Johnson tem uma voz pouco ágil, nada adequada à acrobática música Handeliana.
Claro que nada disto obstou a que o grande auditório se enchesse de apartes da espécie Bravo e afins no fim. Ah, sim, leia-se com un accent français s'il vous plait madame, mademoiselle, monsieur. Bad vibes para os músicos e sobretudo para o maestro que assim não é condicionado para fazer melhor.
Irrepreensível comme d'habitude, o coro. Simplesmente
excelente, que partilha este lugar do podium com
Susan Gritton.
Reuss e o resto fica por um
razoável folgadito, mas não muito avantajado. A orquestra fez o que lhe mandaram, foi
boa.
Bem agora está na hora da caminha. Amanhã há mais. Sweet dreams.