music
Actualização:
site do programa.
Tenho votado este site a um "desprezo" forçado. Tenho muitos outros interesses. E tempus fugit. Tenho andado envolvido com um meu pet project: um programa de rádio.
Não espanto ninguém que leia os meus escritos que sou crítico da rádio portuguesa em geral e da clássica,
Antena 2 em particular. A
Clássica FM é um robot, nem se quer lhe posso chamar uma rádio. Adiante.
Critico, mas gosto sempre de tentar dar o meu modesto contributo para melhorar, ou pelo menos para tentar melhorar.
Depois de
dois anos a bater com o nariz na porta, e quando estava já desenganado, ssscreechhh, a porta sonoramente rangendo abriu-se-me. Moral: a persistência compensa.
Vou ter um programa. Cuja primeira emissão é na próxima quinta-feira, dia 5, às 10h00. O nome do programa é
O Ouvido de Maxwell. Para quem não tem uma formação científica este apelido escocês nada diz. Mas foi o matemático que descobriu as equações que regem o comportamento do comportamento do campo electromagnético na sua vertente ondulatória. Em suma sem estas equações conceber circuitos de rádio, por exemplo, seria difícil, para não dizer impossível, estar-se-ia à mercê dos Edisons de ocasião.
Toda a teoria de Antenas tem por base estas equações. Procuro assim muito humildemente dar a conhecer o nome do dito senhor, que merece a meu ver ser mais (re)conhecido pelo público em geral.
Este programa terá uma componente Internet indissociável. Há o broadcast FM e há a Internet. Aí procuro chegar mais longe.
Globalização instantânea, alguém disse. No site vai ter fotos, o programa em streaming (MP3 e Ogg) e um podcast. Low-fi, so sorry. Mas a bandwith é muito
cara. O podcast em Ogg tem melhor qualidade e é mais levezinho nos bytes.
O site surgirá só no dia do programa e a actualização será simultânea com o rádio. Isto é, as fotos e texto surgirão à medida que forem sendo propagadas no ar por via da rádio.
O primeiro programa intitula-se:
Os ouvidos não têm pálpebras e é uma variante minha da frase de
Pascal Quignard as orelhas não têm pálpebras.
Todo o som é o invisível sob a forma do perfurador de
envelopes. Quer se trate de corpos, quartos, apartamentos,
castelos. Imaterial, ele ultrapassa todas as barreiras. O som ignora a pele, não sabe o que é um limite: ele não é nem interno, nem externo. Ilimitável, ele é ilocalizável. Não pode ser tocado: ele é incapturável. A audição não é como a visão. Aquilo que é visto pode ser parado pela parede ou pela cortina, pode ser tornado inacessível pela muralha. O que é ouvido não conhece nem pálpebras, nem paredes, nem cortinas, nem muralhas. Indelimitável, ninguém se pode proteger dele: os ouvidos não têm pálpebras.
Eis um spot de promoção do programa.