music
Há já algum tempo que sou subscritor do site
ChangeThis. Neste site há propostas de manifestos sobre os mais variados assuntos.
Escrevo isto para dar conta de um manifesto escrito pelo editor da
Wired,
Chris Anderson, intitulado:
The Long Tail.
É uma análise das tendências de vários mercados, sobretudo o dos DVDs alugados, da música gravada e dos livros.
Faz a apologia de uma oferta o mais vasta possível para contrabalançar a pobreza que as máquinas de marketing dos conglomerados vomitam a plenos pulmões, como se fossem dádivas dos deuses.
O primeiro exemplo que me veio à cabeça foi o da rádio em Portugal. Percorrendo o quadrante o que se ouve é sempre mais do mesmo. Do ruído de arengadores alugados a peso de ouro acerca do último soluço que o político X deu, ou melhor ainda que consta que deu, até à playlist telepaticamente transmitida pelas grandes editoras, e que é empurrada pelos orifícios auditivos abaixo com muita publicidade e marketing rasteiro, passando pela rádio dita Clássica e que se limita a copiar o modelo das rádios Pop, com a diferença de substituir o séc. XX/XXI Pop, pelo séc. XIX Pop: a paisagem radiofónica em Portugal é de uma aridez Marciana.
Não haverá espaço em Portugal para uma rádio que não trate os ouvintes como simples porta-moedas com orelhas e deglutidores de sound-bytes?
Uma rádio feita com gosto, longe do funcionalismo público e dos shares publicitários. Estranhamente, ou talvez não, seguir os trilhos não batidos é uma melhor estratégia em termos de $, do que ser mais um no atulhado espectro electromagnético. O manifesto de Chris Anderson põe valores em tudo, e mostra que ser "diferente" é uma opção mais que viável financeiramente.
A Internet oferece a possibilidade de fazer uma rádio por pouco dinheiro, com custos mínimos, donde com espaço para o risco. Coisa que não há nas rádios hertzianas que, ou estão à mercê da busca desesperada do share, ou estão numa letargia funcionalista em que impera a filosofia do:
Who cares? I'll get payed just the same.
Tanto mais que até agora ainda não sei de nehuma rádio que saiba convenientemente explorar as possibilidades que a Internet oferece. Mesmo a BBC, que é exemplar em muitas coisas, deixa muito a desejar neste capítulo.
Fica no ar a questão, pode ser que alguém a queira apanhar e dar a sua resposta.