a ouvir: le elóge du savoir — nietzsche & o som calculado
appa writes on 26.May.05 at 18h47
friedrich nietzsche

A France Culture tem um programa denominado Le Éloge du Savoir em que difunde conferências sobre os mais variados temas. Ultimamente tem acompanhado um ciclo de conferências na Cité de la Musique denominadas L'Ecoute. Sugiro dois programas cujos arquivos estão disponíveis na web para serem ouvidos.


  1. La fabrique du son musical: calculer et composer le son: por Jean-Claude Risset compositor e responsável pelo Doctorat de Processamento de Sinal no ircam. É uma conferência que trata o som, a sua abordagem científica e como se relaciona com a vertente artesanal e artística do fabrico de instrumentos e da composição. A tensão entre a vertente científica e artística.

  2. Nietzsche: les conditions de possibilité d'un discours sur la musique por Eric Dufour professor de Filosofia. Se há um filósofo que tratou a questão da música com profundidade e lucidez, esse filósofo é Nietzsche. Desde as suas composições, passando pelas suas relações musicais que incluiram entre outros Hans von Bülow e Wagner, o filósofo pensou a música como poucos. Primeiro num registo laudatório da filosofia Schopenhauriana e da sua interpretação Wagneriana em obras como o Tristão e Isolda até ao cisma com Wagner e o seu culto Bayreuthiano, que antecede o culto nacional-socialista uns anos mais tarde. Não fosse Bayreuth um local que Adolf visitiva com regularidade ficando hospedado em casa dos Wagner. Não fossem os discursos do grande chefe inaugurados pela abertura de Rienzi tocada por uma banda das S.S. Mas isso é outra conversa. Parte das muitas coisas decadentes que a estética romântica encerra em si, Nietzsche dissecou como poucos. A visão de alguém que esteve imerso nesta estética e que a rejeitou mais tarde. O tom de Eric Dufour é algo académico, no pior sentido que essa palavra possa ter. É por isso pedante e inócuo, pois que se coibe de assumir qualquer posição: como diria N. de ter modo de avaliar e julgar o que está perante ele. Para além de um titubeante e ridículo colar do discurso de N. sobre a música à tradição romântica, nada há. Vale a pena ouvir porque o conferencista cita amíude as obras de Nietzsche e como o seu modo de ver a música reflecte e influencia a sua filosofia em geral, que está longe de ser um sistema fechado à Kant — a quem Nietzsche chamava o chinês de Königsberg — mas é antes uma série de ideias curtas mas incisivamente profundas como poucas na história do pensamento Ocidental.


Audição mais que recomendada.