(f)estivais
appa writes on 26.May.05 at 21h39
festival ile de france

O Estio aprochega-se a largos passos e com ele os Festivais de Música. Vou deixar de fora os Festivais do Malte Levedado e Similares, pois que eles têm toda a publicidade que precisam e mais alguma. Ou não houvesse o supremo interesse de regar bem as pândegas com o dito líquido. Têm que se pagar a eles próprios. Se sai $, tem que entrar mais $. A canalha gananciosa não brinca em serviço.

Vou discorrer um pouco sobre dois Festivais. O Festival de Música da Póvoa e o do Estoril. Vou proposidamente ignorar o Festival de Sintra. Porque dança à parte é um festival enredado em fios de aracnídeo. Tédio, tédio e enfado. Tanto se me dá como se me deu se tem a já vetusta Marta Argerich a abrilhantar a ocasião. O director artístico da parte de Música do Festival é alguém de topo no Serviço de Música da Gulbenkian, que é uma instituição cuja programação prima pelo bolor nas suas escolhas. Provavelmente no afã de conseguir levar as turbas geriátricas a precipitarem-se sobre os locais do concerto, resolve aplicar a mesma receita neste festival que aplica ali para os lados da Av. de Berna. Não resisto a citar alguns dos sound bytes que o director nos oferece numa epístola afixada no site da edilidade Sintrense:

Festejando a sua 40ª edição no ano 2005, o Festival de Sintra honra-se de renovar, por mais um ano consecutivo,
a sua aposta invariável que é a da oferta ao público melómano da oportunidade de tomar contacto com alguns dos
grandes valores artí­sticos que ilustram os mais prestigiados palcos europeus. Esta aposta persistente na qualidade
artí­stica tem vindo a consolidar no Festival de Sintra, desde há várias décadas, uma verdadeira e rara tradição no
âmbito do panorama musical português.

Diz o povo com razão que presunção e água benta, cada um toma a que quer. Não percebo o qualificativo de rara. Raro em quê? No persistir de lugares comuns? Na pouco imaginativa cópia do modelo da Gulbenkian e da sua filosofia — ou da falta dela? Adiante. Já gastei demasiada largura de banda com este festival de e para geriátricos.

A 27ª edição do reputado Festival de Música da Póvoa de Varzim tem alguns concertos imperdíveis a meu ver. E que valem a bem a pena uma viagem até à beira do Atlântico um pouco acima do Porto.

  1. dia 9 de Julho: La Venexiana sob a direcção de Claudio Cavina interpretam Monteverdi na Igreja Matriz da Póvoa do Varzim

  2. dia 14 de Julho: Pierre Hantaï inaugura o cravo do Festival interpretando obras de Couperin, D'Anglebert e J.S. Bach na Igreja Românica de São Pedro de Rates — este cravista é um dos poucos instrumentistas que "desaparecem" quando tocam, é como se o instrumento se tocasse sózinho.

  3. dia 19 de Julho: Jordi Savall dirige o Hespérion XXI e La Capella Reial de Catalunya em danças e vilancicos do siglo de Oro español, que medeia entre a expulsão dos Mouros de Espanha, 1492 e a descoberta da América por Cristovão Colombo ao serviço dos Reys Católicos a morte de Felipe II, 1598. Este concerto tem lugar na Igreja Matriz da Póvoa de Varzim.

  4. 20 de Julho: a violinista Rachel Podger e o cravista Gary Cooper apresentam-se em concerto com obras de Bach, Vivaldi, Veracini, Handel e Pisendel, na Igreja Românica de São Pedro de Rates

  5. 23 de Julho: O Concert Spirituel dirigido por Hervé Niquet interpreta obras de Marc-Antoine Charpentier na Igreja Matriz da Póvoa


Todos os concertos acima são às 21h45.

Para além disso tem ainda a integral do Catalogue d' Oiseaux de Olivier Messiaen pelo pianista Roger Muraro num concerto pela noite dentro, no dia 27 de Julho começando às 20h00 e terminando pelas 00h00 do dia 28 de Julho no Auditório Municipal da Póvoa do Varzim.

Igualmente interessante é a estreia da obra encomendada pelo Festival à compositora Isabel Soveral pelo violetista e violinista Pedro Meireles com a pianista Elsa Silva dia 27 de Julho às 21h45 no Auditório Municipal da Póvoa de Varzim.

O concerto de encerramento é no dia 30 de Julho em que a Orquestra Sinfónica da Póvoa do Varzim sob a direcção de Osvaldo Ferreira e tendo o pianista Roger Muraro como solista interpreta obras de Grieg, Richard Strauss e Béla Bartók.

De salientar que este Festival quer ser mais. E nesse sentido alarga este ano o seu âmbito para a inclusão de masterclasses de Claudio Cavina e Rachel Podger, por exemplo.

Vai também ser lançado um prémio de composição, cuja primeira edição ocorrerá para o ano que vem: 2006.

O Festival do Estoril vai na sua 31ª edição e este ano arregimentou uma programação eclética que vai desde um concerto com os Swingle Singers, assinalando o centenário do nascimento do compositor americano Harold Arlen até à música de Jorge Peixinho passando por Monteverdi, Bocherinni, e música medieval e Renascentista.

Sinopse dos Destaques:

  1. dia 16 de Julho : I fagiolini: The Full Monty — uma forma original de cantar a bela música de Claudio Monteverdi — às 21h30 na Sala Atlântico do Hotel Palácio no Estoril

  2. 24 de Julho: a European Union Baroque Orchestra sob a direcção do cravista apresenta-se um concerto na Igreja do Colégio dos Salesianos no Estoril, às 21h30, com um programa que percorre o Barroco musical das terras centro-europeias desde um desconhecido compositor checo Pavel Josef Vejvanovský (1639-1693), até a Bach, passando por Telemann e Georg Muffat.

  3. dia 26 de Julho: as Vozes Alfonsinas sob a direcção de Manuel Pedro Ferreira apresentam-se na bela sala do Centro Cultural de Cascais com canções cortesãs da Idade Média e Renascença pelas 21h30.

  4. 31 de Julho: o agrupamento de música contemporânea Oficina Musical sob a direcção de Álvaro Salazar toca obras de compositores dos sécs. XX e XXI, desde Varése a João Pedro Oliveira.

  5. 2 de Agosto: o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa dirigido por João Paulo Santos interpreta Jorge Peixinho, Eurico Carrapatoso, Constança Capdeville e Clotilde Rosa. Às 21h30 no Centro Cultural de Cascais.

  6. 3 de Agosto: A OrchestrUtópica dirigida por Alan David Miller interpreta obras de compositores contemporâneos em estreia absoluta e estreia nacional. Pelas 21h30 no Centro Cultural de Cascais.


À medida que as datas se forem aproximando e a informação estiver disponível vou afixando os concertos na página de eventos.