vocal ensemble em s. vicente de fora: polifonia de uma nota só
appa writes on 14.Jan.06 at 19h54
Bebel Gilberto

Assisti o passado Sábado dia 7 de Janeiro a um concerto medíocre pelo Vocal Ensemble que se apresentou na igreja de São Vicente de Fora, sob a direcção de Vasco Negreiros, com motetes e a Missa Pro Defunctis de Frei Manuel Cardoso (1566-1650). Ocasião também para o lançamento de um CD triplo com obra inéditas em CD do mesmo autor pela editora Arte Mágica.

As peças vocais foram entremeadas com obras para órgão interpretadas pelo organista João Vaz no magnífico instrumento de São Vicente de Fora.

O alinhamento do concerto foi:

Não há muito para dizer. Achei o concerto entediante. O pré-concerto consistiu numa arenga enfadonha por um senhor que tomou o púlpito, e que não teve a gentileza de se apresentar, mas que deduzo ser o produtor do disco, ligado portanto à editora, Arte Mágica, que eu desconhecia até então. Mau tom, o facto de ter falado em "Excelências", "Convidados", &c, &c, &c, esquecendo-se de falar no público anónimo: a ralé; entre a qual me incluo.

Achei muito estardalhaço para pouco, ou quase nada. Tanta presunção, e foi isso que me desagradou mais, o tom quase absoluto com que o CD foi apresentado, como se fosse algo de verdadeiramente memorável. Depois da arenga estava à espera de qualquer coisa de excelente. Mas, mas, depressa percebi que dali não ia sair um paquiderme mais um roedor pequenito e muito assustado com o barulho.

Vasco Negreiros é mau no cantochão. Para além de problemas de afinação, não consegue transmitir a magia da palavra. Isto é não explora a musicalidade do latim, e não a usa para melhor transmitir a palavra. Ir para além de um simples dizer coloquial, tentar revelar o Deus absconditus nas palavras. O som das sílabas como repositórios de sensações, de ideias. Corta abruptamente as sílabas. Parece-me ter pouca sensibilidade para a musicalidade das palavras e do latim.

Esta falta de sensibilidade para o som das palavras, e como a música resulta naturalmente delas, voltou-se a fazer sentir no Introitus do Requiem. O Requiem Aeternam cantado por uma soprano não explorou o som das palavras. O "am" de Aeternam saíu de forma abrupta, com um corte brutal no som do aaammm. Para mim este som dá enfâse ao facto de o(s) defuntos terem entrado no seu repouso eterno. Adiante.

Quanto à abordagem da polifonia propriamente dita. Achei enfadonho. Um som "bonitinho", mas sem chama, sem alma. Falta de clareza das várias linhas. Falta de capacidade de explorar as articulações das várias vozes com base nas palavras. Não consegui perceber quase nada do que foi cantado. E não aceito o argumento tíbio de que a polifonia é mesmo assim. O texto não é para se perceber. Para isso há monodia. Não, não e não. A polifonia é uma forma de explorar o significado do texto a ser cantado utilizando as articulações entre as várias vozes . É uma potenciação daquilo que a monodia encerra. Sim pode haver um "sacrifício" da compreensão imediata da palavra em prol de uma significação mais profunda que curto-circuita a nossa capacidade puramente analítica, que está para lá da simples linguagem coloquial. Mesmo para lá da semântica. Nada do género me foi dado ouvir neste concerto.

Recordo o sublime concerto dado pelo agrupamento Jachet de Mantoue. Esse sim um concerto memorável em que a Missa sobre o madrigal "Anchor che col partire" do compositor Jachet de Mantoue (1483–1559) foi um momento único. Um daqueles momentos de um transe profundo. A clareza das linhas, a clareza da palavra, a riqueza do som. Aproveito para a talhe de foice eleger este concerto como indubitavelmente o melhor de 2005 dos que tive oportunidade de assistir. Algo que ficou registado em mim ao nível celular.


Na linha do sobredito a propósito do cantochão, a falta de sensibilidade para a linguagem, isso fez-se sentir também na forma indiferenciada como cantam motetes e uma missa de defuntos. Onde está o tom simultaneamente grave e alegre da missa de defuntos? Por um lado partiram do nosso mundo, mas vão para o seu repouso eterno, onde, ficam "libertos" das fraquezas do mundo.

Gostei da movimentação dos músicos durante o concerto. Tendo cantado diversos grupos de peças em locais diferentes da igreja. Mas é pouco, muito pouco. Sobretudo quando se fala forte e feio sobre o "notável" da ocasião. Seria um concerto razoável, não fora a expectativa criada. Podem-se assumir as pretensões que se achar bem, mas têm que haver algo que substancie essas pretensões. E neste caso não vislumbro semelhante coisa.

É de saudar sempre a edição de música portuguesa, ainda para mais quando é de compositores com tanta qualidade como Frei Manuel Cardoso. Não ouvi o disco, nada posso dizer sobre ele. Quanto ao concerto estamos conversados.

Um breve apontamento sobre o trabalho de João Vaz. Achei em linha com o restante concerto: enfadonho. Por exemplo, logo a abrir, a Batalha do 5º tom, saíu tíbia, sem ganas. Já ouvi este organista a tocar melhor, bem como a ser dado melhor uso ao instrumento.

Em suma um concerto esquecível por ocasião do lançamento de um CD com música inédita de Frei Manuel Cardoso. Ocasião sempre recomendável.
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> obrigado, vermeer!
> by Mim on 03.Feb.06 at 16h34
No meio de tudo isto, foi o único com uma palavra sensata, enriquecedora, crítica.

Boa prestação!
> pride and prejudice
> by Vermeer on 31.Jan.06 at 15h31
Estive na igreja de S. Vicente de Fora no dia 7 de Janeiro. Fui ao concerto na companhia do "Perusio", com quem partilho a paixão pela música antiga. Fui uma das primeiras pessoas a adquirir o triplo CD editado pela Arte Mágica, logo que a VGM o teve disponível (antes de surgir nos escaparates da FNAC). Curiosamente já tinha tido a possibilidade de ouvir excertos do disco alguns meses antes (da sua edição ao público) pela mão do Tomás (VGM).
Quando o disco ficou disponível não tive dúvidas em adquiri-lo. A edição de um disco (para mais no formato de triplo CD) de música antiga em Portugal, com música de um compositor português, interpretada por um agrupamento português, gravada e editada por portugueses não deixa de ser um acto temerário e que eu sinto que devo apoiar e acarinhar.
Ainda para mais, o nível interpretativo é digno de nota no contexto nacional.
Devo ainda realçar a boa qualidade do grafismo da edição, assim como do programa que, gentilmente, foi distribuído à entrada do concerto.
Acho que esta é uma edição à qual nenhum amante de música antiga no nosso país deverá ficar indiferente.

Avancemos para o passado dia 7. Não sou um académico. a minha relação com a arte é feita a um nível visceral, institivo. A arte não existe para o consumo autofágico de uma elite de "iniciados". A audição é um sentido muito primário. Daí força da música. Daí ela interagir connosco a um nível primário. Gosto de elaborar (e os gostos podem e devem ser discutidos) acerca do que gosto e porque gosto. Mas isto surge num segundo momento. O determinante (para mim) na relação que estabeleço com a arte é a resposta primária do meu corpo. Limitação minha? possivelmente. No fundo, essa reacção visceral e epidérmica é a que caracteriza a paixão. A relação que tenho com a música é assim. Não escolho a minha música por pedantismo, arrivismo social ou cultural. Escolho-a com as entranhas. Sentindo.

Citanto o Fernando Pessoa, "O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar".

Apenas a arte que nos atinge as entranhas tem o poder de nos libertar.

O que é isto tem a ver com o dia 7? tudo.
Mas vamos por partes.

Corroboro a opinião do "Perusio" sobre o discurso que antecedeu o concerto. Achei-o parolo, provinciano e entediante.

Quanto ao concerto gostei da movimentação do grupo coral que permitiu explorar diferentes características acústicas do espaço e criar uma performance mais "envolvente".

Entrando na interpretação do Vocal Ensemble, ela soou-me ligeira. Foi um concerto que me agradou, mas que me não marcou. Não pretendo ensinar a ninguém o que é a Polifonia. Ou cantochão. Posso apenas falar daquela que me toca. Já que se falou de cantochão, experimente-se ouvir a interpretação do Organum Ensemble (com Marcel Pérès) do Requiem de Ockeghem (Harmonia Mundi) - Caso não me seja reconhecido mérito para fazer recomendações, podem sempre passar pela VGM e pedir umas sugestões ao Tomás ...

Ouçamos a expressividade da palavra. O peso da palavra. Preferências à parte, será indiscutível que Vasco Negreiros e Marcel Pérès têm do cantochão concepções totalmente distintas (não ignoro que existe século e meio de diferença entre a obra de Ockeghem e a de Frei Manuel Cardoso). Há na aborgadem de Pérès um imediatismo e visceralidade que não encontro em Vasco Negreiros. Qualquer dos outros agrupamentos citados pelo "Perusio" são referências que partilho. Não se trata de dizer que um está certo e outro errado. Apenas que realmente são diferentes e que, nessa diferença, eu tenho uma preferência clara.

Nada disto seria um problema não fosse o triunfalismo que parece existir no Vocal Ensemble. Pelos vistos este não é um ponto de partida, mas um ponto de chegada. Refugiarmo-nos nas loas de alegados especialistas de aqui e além-mar, revela uma atitude intelectual que lamento. Acaso não sabemos todos da "paróquia" em que consiste a crítica estabelecida?

Pode discordar-se do "Perusio". Mas insinuar que um exercício livre e descomprometido de opinião, pela parte de alguém que não se assume como especialista de coisa nenhuma e apenas se assume como amante da música, é um direito que deve ser cortado cerce, essa sim é uma posição miserável.

O "Perusio" é, frequentemente, demasiado frontal no que escreve (sei do que falo porque já estive sob a mira dele). Esta polémica poderia ser útil se a divergência de posições tivesse sido o ponto de partida para uma discussão frutuosa de ideias em que cada uma das partes não se visse como detentora da "verdade".

Se pusermos de lado os preconceitos, todos poderemos ter algo a aprender uns com os outros. Só quem gosta de aprender (o que exclui todos quantos não têm dúvidas) é capaz de ensinar ...

João Jarego
> vocal ensemble
> by iman on 24.Jan.06 at 17h10
gostaria apenas de louvar a humilde atitude desta criatura, "appa", que, como se nota, se deleita não com a música mas com a pérfida mesquinhice de quem nem ouvir consegue. pelo menos não com o coração.

mas, realmente, como poderíamos nós, tontos membros desse "medíocre" vocal ensemble, perceber que nem toda a gente tem a mesma relação de afecto e o mesmo amor àquela música, àquele trabalho de pesquisa aprofundada que resoultou numa gravação feita com suor e sangue e com o melhor de cada um de nós.

lamento que o melhor de cda um não chegue à sua alma empedrecida, caro exigente ouvinte.

há coisas que se fazem num universo que para os demais se torna inacessível: para os que ouvem com o espírito apodrecido pelo desejo de criticar, ou para os que não fizeram parte de toda a odisseia que foi, para meros alunos que mal conheciam o nome desse compositor e que aceitaram o desafio de vasco Negreiros a mergulhar nas profndezas além da aborrecida estética convencional.

lamento se o aborrecemos, caro amigo.

já agora, pode enviar-nos algum cantocão seu (cantado por si)? seguramente teríamos muito a aprender...

iman.
 
> a perfídia e as loas
> by appa on 27.Jan.06 at 22h59
Caro Iman,

Agradeço desde já o seu comentário. Não tenho cantochão feito por mim. Mas tenhos algumas sugestões que humildemente lhe envio. São alguns grupos em que o cantochão que ouço me agrada.

  1. Hilliard Ensemble

  2. Ensemble Organum — o Marcel Pérès escreveu um livro sobre isso, livro que não li;

  3. Capella Pratensis — dizem-me que este grupo acabou, é pena;

  4. Capilla Flamenca


Penso que já tem muito por onde pegar. Escutando os discos aperceber-se-á da diferença abissal entre o vosso cantochão e os aí patentes.

Quanto ao seu apologético discurso do "sangue, suor e lágrimas." Seria com muita vantagem substituido por uma grande vontade de melhorar, e do que lá ouvi há muito espaço para isso.

Quanto ao seu mimo do "espírito apodrecido pelo desejo de criticar". Se para si a escuta deve ser acéfala, então existimos em dimensões diferentes. Não sei o que é:

escutar com o coração

Escuto com o meu organismo todo, coração incluído. Será uma escuta sem discernimento?

Sou um simples melómano. O que aqui escrevo e o que lhe direi face a face se tal ocasião se apresentar é aquilo que o meu organismo me diz. Não gostei do concerto. Para hipocrisia basta a crítica de jornal. Se calhar prefere isso, as paternalistas pancadinhas nas costas da crítica lusa. No fundo dessa atitude está o desprezo.

É precisamente porque tenho consideração pelo vosso trabalho que escrevi o que escrevi. Acho louvável a ideia, mas precisa de ser mais trabalhada. O estágio actual é, a meu ver, medíocre, pelo menos é isso que me parece com base no concerto a que assisti.

Concluindo tem 2 alternativas:

  1. carpir e amaldiçoar-me; porque carga de água hei-de eu estar em dissonância com o tom das loas gerais que sobre vós, aparentemente, se cantam;

  2. entender isto como um estímulo para melhorar, mais e mais, a fim de atingir um nível já razoável.


A escolha é sua.
 
> miséria
> by vmnegreiros on 29.Jan.06 at 23h08
Sr. appa, ou coisa que o valha:

Não me envolveria nesta miséria, não houvesse lido a resposta à intervenção do colega de Ensemble. Que o sr. appa, ou seja lá quem aqui se esconde, não saiba o significado do termo canto-chão, não me surpreende minimamente, mas que venha afirmar que a sua crítica tinha boas intenções, isto é de uma falsidade perversa.

A arrogância do sr. appa está fundada em profunda ignorância, associada a triste inaptidão estética musical e lamentável pieguice pseudo-litúrgica. Até mesmo amigos e parentes, que nunca sonhariam em vir a escrever sobre música, reconheceram as falhas que de facto aconteceram no concerto, só o sr. appa não ouviu nada. É incrível que não se envergonhe. O tempo em que na Música Antiga havia pessoas que não traziam senão boas intenções (no caso do appa: as piores possíveis) já passou há muito, tornando-se esta área uma grata referência de erudição e de boa formação de músicos e de críticos. Pensar que o seu domínio musical poderia ir aumentando na medida dos seus gastos em compras de CDs ou através dos nomes soantes que cita é absolutamente ridículo. Chamar ao que faz, ‘crítica’ é uma ofensa a quem de facto exerce esta nobre e importantíssima função.

O Vocal Ensemble caracteriza-se fundamentalmente por ser um grupo em contínua formação. Foi ensaiado e dirigido em concerto por alguns dos maiores especialistas no repertório em causa. Fonte tanto de elogio como também de crítica, em todas estas circunstâncias, foi a prioridade absoluta que dá à compreensão da palavra, tendo-a por base da interpretação. Esta opinião é unânime, vinda de quem de facto sabe do assunto, seja em Portugal, no Reino Unido, na Alemanha, no Brasil ou em França. De alguém que não consiga reconhecer nem o mais elementar de uma interpretação polifónica, não espero que logre distinguir nuances de sonoridade na execução de um requiem. Por mais que compreenda que nem sempre quem escreve sobre música possa ter sólida formação prática musical, tão pouco aceito que seja tão cabalmente incapaz, do ponto de vista auditivo, assim como de todos os outros.

Escrever crítica não é só saber ressaltar palavras tontas em notação branca. Por respeito aos colegas, assim como a quem escreve crítica porque de facto percebe daquilo em que se mete, só posso dizer: Abaixo esta vergonha de blog!

Vasco Negreiros
 
> quem ouve
> by Luciano on 14.Feb.06 at 11h22
Percebe-se a irritação do grupo, mas também se compreende que este grupo não faz música para as pessoas que gostam de música.

Apesar de ser muito louvável a edição do CD triplo, ele não foi feito para as pessoas. Não teve a visão de alguém que sabe o que as pessoas querem. E refiro-me exclusivamente a uma parte técnica, e não interpretativa. Esta edição discográfica tem som mau, bastante mau. A essência da música é sempre o som. Um ouvinte comum não tolerará uma audição prolongada. Se este grupo tivesse aceite a opinião de uma pessoa habituada a ouvir cds muito bem gravados este problema já não aconteceria.
Pode-se até considerar que a melhor opinião é aquela livre de preconceitos musicais, da pessoa capaz de ouvir a música como um todo.
Por exemplo, Sir George Martin, um dos produtores do Beatles, aconselhou um então pretenso técnico de som português, agora de grande sucesso, a deixar de estudar música.

O melhor,

L.
 
> ite missa est
> by appa on 30.Jan.06 at 00h05
Antes do mais. Não me escondo atrás de coisa nenhuma. Tenho inclusive aqui o número do meu telemóvel. Compreendo que com a sua muito preenchida agente entre os "eruditos", não tenha tempo para se inteirar do facto, que quando se adquire um domínio na Internet tem que se dar um nome e uma morada. Compreendo que tão prosaicas coisas não possam ocupar as suas células cinzentas, pois que estão ocupadas estão a processar os rodos de informação adquirida pela convivência com os "eruditos" e inacessíveis a uma mente menor como a do labrego surdo que sou. Compreendo também que não esteja por dentro do que é um hyperlink. Coisa que existe desde os primórdios da web. Se soubesse podia ter evitado a atoarda de eu me "esconder", pois que o link para o meu contacto está bem visível do lado direito.

Quem se esconde atrás da putativa erudição não sou eu. Quem convoca os "eruditos" vs. os labregos de ouvido duro não sou eu.

Aliás apelar aos "eruditos" é sempre um sintoma de tibieza. Não sou "erudito" e nunca chamei ao que aqui escrevo crítica. Se antes de deixar os dedos deslizar sobre o teclado lê-se o que aqui está já evitava gastar o seu precioso tempo, e o meu a escrever isto.

Quanto ao demais, de facto não sei o que é cantochão. Sabe-o o Sr. Maestro. Eu sou um labrego que não tive o privilégio de trocar palavras com os grandes "eruditos". Isso porque como gasto o $ todo em CDs não me sobra para asssistir às masterclasses dos "eruditos".

Também não sei o que é a afinação. Deve ser de ouvir muita música contemporânea, o desafinado, já me parece afinado, e o recíproco.

Se coisa mais alguma fosse preciso para escarrapachar a letras garrafais a sua "superioridade intelectual", que concomitantemente se traduz numa superioridade moral, está o seu simpático apelo final, que passo a citar:

Por respeito aos colegas, assim como a quem escreve crítica porque de facto percebe daquilo em que se mete, só posso dizer: Abaixo esta vergonha de blog!

Está em boa companhia. Passe bem, e continue assim que auguro-lhe um futuro promissor: em breve estará a percorrer os circuitos dos grandes festivais. Onde a sua humildade e erudição serão reconhecidas, bem como a excelência das prestações do grupo que dirige. Estou certo.
 
> arrogância ou surdez?
> by sasfa on 02.Feb.06 at 00h19
Sr. appa

Gostaria de felicitá-lo pelo facto de, sendo um "simples melómano" e não um "erudito iluminado", escrever um crítica consistente, baseada em argumentos musicais concretos, aos quais os ditos profissionais não conseguem responder.
Não me parece só uma questão de arrogância (já em si muito grave), mas também de surdez musical...