silencio: no hay banda
appa writes on 03.Apr.05 at 14h04
no hay banda

Um díptero da espécie musca domestica fez-me chegar ao ouvido um zumzum a propósito de um concerto que não houve em Mafra.

Era para haver um concerto em Mafra pela Orquestra Metropolitana de Lisboa. Sucede que a orquestra conseguiu um contrato em que está especificada uma cláusula térmica. Isto é, a menos que a temperatura no local onde o concerto vai decorrer seja igual ou superior a 16 ° Celsius, o concerto não se realiza.

Ora sucede que no dia 19 de Março, a OML enviou uma equipa "científica" de medição de temperatura ao local onde o concerto se deveria realizar: na basílica de Mafra.

Essa mesma equipa mediu uma temperatura de 14.8 ° C. Uma diferença de 1.2 ° para os críticos 16 ° C. Resultado: o concerto não se realizou.

Se alguém se deslocou a Mafra no sentido de ouvir a 4ª sinfonia de Mahler bateu com o nariz na porta.

Será que os "científicos" da atmosfera de concerto que foram enviados a Mafra pararam 2 minutos no seu afã medidor para pensarem que com os músicos e o público, provavelmente os 16 ° C seriam rapidamente atingidos, e mesmo ultrapassados?

Como compreender esta recusa, e esta precisão medidora de temperatura? Será que uma temperatura de 15 ° C é impedidora de um bom desempenho? Os músicos tocam em trajos menores? Os instrumentos modernos que a OML utiliza não se adaptam a esta temperatura?

Se fossem instrumentos antigos, com corda de tripa, ainda podia conceber esta recusa. Mas com instrumentos modernos com cordas metálicas, custa-me perceber. Pois que se adaptam com muito mais facilidade às condições atmosféricas.

Sugiro a inclusão de outras cláusulas atmosféricas, a saber:

  1. humidade relativa: o excesso de humidade é nefasto — terá que ser inferior a 70%, se estiver a chover não há concerto (?)

  2. nível de ozono: o ozono é tóxico.

  3. nível de radioctividade: para além de um termómetro deve-se também levar um contador Geiger.

  4. percentagem de oxigénio: se o ar for rarefeito então as condições para se fazer um concerto são diminutas, não se quer o maestro e músicos a arfar ruidosamente.


Enfim. Como alguém disse a realidade é mais absurda que a ficção e serve-lhe de paródia.