perusio strikes back
appa writes on 04.Jul.10 at 23h43
Darth Vader smiles


The reactionary does not yearn for the futile restoration of the
past, but for the improbable rupture of the future with this
sordid present.


Don Colacho, Escolios a un Texto Implícito: Selección, p. 224




Faz tempo que não escrevia aqui. Não me apeteceu escrever até há
pouco. Apetece-me agora voltar a escrever. Vão mais de 4 anos
desde o último post e 7 desde o lançamento do site. Para um site
com 7 anos até que nem está mau de todo. Obviamente que agora com
todas as possibilidades oferecidas pelo HTML5 o site pode ser
uma coisa muito melhor.

O perusio.com vai voltar, mais melhor bom. Isto apesar de o
panorama de concertos pela lusa pátria ser francamente mau, com
umas bóias a flutuar isoladas num oceano de tédio.


Com a iminente explosão do estado social por inviabilidade
financeira, a cultura foi a vítima primeira. Há sempre para servir
as clientelas que alimentam o poder: os construtores, os
banqueiros, os interesses instalados, utilizando um termo
salazarista: toda a perfeição do corporativismo; a cultura
embora tendo corporações é algo de completamente periférico ao
poder.

O estado "moderno", criação do séc. XIX, não precisa da cultura
para nada. Na medida em que o estado é mais poderoso maior é o seu
antagonismo com a cultura. Os dois maiores assassinos da história
foram dois estados que se afirmavam arautos da cultura: o
socialismo soviético e o nacional-socialismo alemão. Quase nada
resta desses "portentados" culturais. Alguns desvios que foram
tolerados primeiro e depois silenciados. Basta pensar no cinema
alemão e soviético. O que chegou até nós foram excepções: o grosso
da produção são obras más que não valem a lata usada para
armazenar as bobines.

Vou escrevendo aqui até lançar o novo site. Estamos em época de
festivais, os que restão por aí e que, hélas, não têm a boa
fortuna de terem os empórios do malte levedado a apoiá-los. É
desses que vou falar.

Não tenho o hábito de reler os meus textos ou rever/re-escutar as
coisas que fiz. Está feito: com o muito de mau e o pouco de
sofrível e possivemente com algumas partes por milhão de
razoável. Hoje não escreveria algumas das coisas que escrevi. Não tanto
pelo conteúdo em si, mas sobretudo pela forma. Quanto mais se volve o pensar
mais simples se torna. E acho que muitos dos textos ganhariam em
ser mais simples e directos.

Quanto ao resto o perusio.com sempre foi e será
reaccionário. Só o sendo se pode ter um plano de conjunto das
coisas. Numa civilização tão tardia quanto a nossa o tempo para o
assim-assim e o sim, mas não, talvez não existe. É preciso
polarizar. Não me interessa ler/ouvir alguém que não tenha um
ponto de vista claro. Se é para ficar na terra de ninguém então há
por aí ainda uma profusão de pasquins, rádios e têvês onde se pode
ler a opinião dos "profissionais" em toda a sua banalidade
burocrática.