rock in chelas: me tarzan, you jane, cheetah composer
appa writes on 10.Jun.06 at 16h41
Tarzan film cast family picture

Foi nos dois fins de semana passados, o dia 27 de Maio, e a sexta 2 de Junho que tive a excelsa experiência de ter estado nesse evento aglutina mundos que dá pelo nome de Rock in Chelas, aka, Rock in Rio Lisboa, como o rio de que fala o título está mais ao sul, ainda mais que o Tejo em relação ao "belo" parque da Bela Vista para blocos de habitação social e uma cerca metálica, Rock in Chelas é mesmo o mais lógico.

Ao que interessa. Vou falar para já sobre aquilo que hoje se chama música de dança. Foi no Sábado 27 que tive o privilégio de testemunhar da arte do mestre Carl Cox que se deu ao incómodo de atravessar boa parte do Atlântico, de Inglaterra, para vir a Lixboa presentear-nos com uma exibição dos seus artifícios musicais. Agradeço ao sr. Cox o incómodo a que se deu, sei que lhe devem ter pago muito bem, muito bem mesmo, dito isto, bastava ter enviado uma mensagem MMS através do seu telemóvel, que tinha tido o mesmo resultado. Um pequeno ficheiro MIDI que podia ser descarregado para um sintetizador teria tido o mesmo efeito.

A música do sr. Cox é a mesma durante horas, durante horas o ritmo é o mesmo, sempre o mesmo, o sr. Cox. se tivesse vivido há 50 anos teria sido contratado para abrilhantar um Parteitag em Nuremberga, ou compor música motivadora em Auschwitz ou Dachau, enquanto esqueletos ambulantes trabalhavam até à morte por exaustão acalentados pelo ritmo opressivo da dita música. A música do sr. Cox é a música ideal para o exercício da escravatura. O que não deixa de ser irónico, uma vez que o sr. Cox se reclama descendente de escravos, vindo da Jamaica com a sua família à eons atrás para a velha Inglaterra. E porquê?

Porque a "música" do sr. Cox é a redução do ritmo, do timbre, ao nível menos que zero absoluto. A música do sr. Cox é o apelo ao cérebro de réptil mais primitivo da nossa evolução. Há boa música electrónica, há boa música de dança. Mas não a do sr. Cox. A "fama" do sr. Cox é um tributo à imbecilidade do nosso tempo, orquestrada por interesses financeiros inconfessáveis sob a capa da liberdade e do diversão. A música do sr. Cox escuta-se de Hammerfest a Auckland. O sr. Cox é o exemplo do produto homogéneo sensaborão, pré-digerido, liofilizado, pasteurizado, aséptico, inócuo, vácuo, e bem lucrativo que a globalização nos oferece no seu pior. Lamento que os soixante-huitards rançosos auto-designados alter-mundialistas não se insurgam contra a homogeneização imbecil de que "artistas" como o sr. Cox são os pontas de lança. Dançar, dançar: estar no meio de 2000 pessoas a roçar-se nos vizinhos sob uma pressão sonora de 150 dB e com uma qualidade de som digna de uma megafone a pilhas, enquanto se projecta uns vídeos banais e entendiantes até à náusea, bem em sintonia com o programa de 5 linhas num loop infinito, que o sr. Cox mete no sintetizador e chama música de dança, é um verdadeiro coup de geule contra os argentários sebosos que esfregam as mãos e oprimem os pobrezinhos enquanto facturam, facturam. Como diz o slogan do Rock in Chelas:

Por um mundo melhor


Por um mundo melhor dançemos os três tons que o Sr. Cox conhece e os 9 programas de 5 linhas em loop infinito que ele nos arremessa como a sua obra.

Leio algures que o sr. Cox é considerado um grande inovador porque foi o primeiro a ter 3 gira-discos na cena de dança. Pergunto-me para quê? Para ficar giro na foto? Porque a sabedoria musical do sr. Cox cabe num velho single de vinil só de um lado e ainda sobram muitas espiras.

O sr. Cox é um óptimo agente do embrutecimento massivo. O sr. Cox é uma nulidade que tal como os conspurcadores de paredes que alguns esprits sensibles chamam de artistas, vive de acordo com o adágio Cartesiano às avessas:

Faço barulho e sujo paredes, logo existo.


A música do sr. Cox dispensa um neo-córtex. A música do sr. Cox é tal e qual as feromonas que as traças libertam e as faz copular violentamente sem capacidade de resistir aos impulsos. Alguém disse que onde se devem ter o maior número de escravos é de rigor ter música. Música reduzida ao nível pré-cognitivo, pré-arte-rupestre, pré-estado-símio, pré-tudo.

O sr. Cox na sua beata ignorância nunca deve ter ouvido falar da dança da Renascença Europeia, nem das polirritmias que existem nas percussões africanas, por exemplo, continente do qual ele reclama a ascendência.

Em suma o sr. Cox é um óptimo produto para a massa informe de deglutidores de malte levedado e absorvedora de décibeis que como lemingues se projectam do alto da falésia estatelando-se na morte cerebral precoce. No IQ required. Don't worry be happy: dance, dance, dance. Enquanto isso a conta bancária do sr. Cox e os seus agentes incham como sapos. Pena é que não rebentem como acontece na fábula.

Assim vai a pseudo-arte-na-realidade-uma-m*rda que se promove como sendo o nec-plus-ultra da música technológica. Até um robot de brinquedo made in the People's Republic of China e vendida por feirantes chineses à saída de uma qualquer estação do Metro em Lisboa, faria melhor. Por um mundo melhor façamos um grande manguito ao sr. Cox e aos merceeiros catitas e de carteira gorda que o vendem como "genial" quando nem sequer é boçal.